domingo, 7 de dezembro de 2014

Paulo Nunes, Franciorlis Viana e Jamil Damous

Olho minha Lettera e é como se cada tecla mexesse com minhas memórias. Foi presente de uma amiga, Maria Elisa Guimarães, professora de Filosofia. Virou peça do meu museu particular, mas me acompanhou por muitos anos, até que o computador entrasse definitivamente na minha vida. Esta semana passei em duas lojas e vasculhei na internet as promoções do e-reader. Os preços despencaram e são tentadores. As coisas vão mudar no meu modo de ler, mas não vão eliminar os rituais vividos a minha vida toda no meu universo dos livros, que não perdem o encanto dos fetiches. Tanto que...


... Estarei de olho em lançamentos para os quais fui convidado, ainda que virtualmente:

 Dia 10, o escritor e poeta Paulo Nunes, lança o seu livro “Gitos – meus minicontos amazônicos”, pela editora Paka-Tatu, às seis e meia, na Fox da Dr. Moraes.

Dia 11, Franciorlis Viana apresenta seu livro “Fantasilhoso”, no IAP, ao lado da Basílica de Nazaré, às sete da noite.

No dia 20, o poeta e compositor Jamil Damous vem a Belém lançar o livro de poesia “O Rei do vento”, a partir das cinco e meia, na Praça do Artista do Centur, com um grande show que traz para o palco amigos e parceiros do autor como Nilson Chaves, Vital Lima, Lucinnha Bastos, Juliana Sininbú, Ana Clara Nassar Matos, Andréa Pinheiro, Simone Almeida, Renata de Paula, Pedrinho Cavalléro, Armando Hesketh e Paulo R.C. Guedes. Haverá letiura de poemas cm Emanuel Maros, Geraldo Salles, José Gondim, Yeyé Porto e Marina Lúcia.

          O mundo analógico traz o calor e a emoção dos encontros como nos velhos tempos, com olhares e abraços, a alegria da presença e eu ainda não consigo imaginar o lançamento de um e-book com essa energia circundante. Os convidados teriam de levar seus e-readers e na hora do autógrafo tradicional contar com algum aplicativo para ser usado via touch screen para pressionar a digital em algum ícone biométrico do aparelho. Quem sabe até uma leitura da íris! 

          O novo leitor está a caminho, mas a travessia acredito que ainda vá durar algum tempo nesses tempos de alta velocidade na mudança dos padrões tecnológicos do consumo, comportamentos e novos hábitos. Eu ainda sofro aqui ao ver montes de livros empilhados no apartamento, disputando espaços cada vez menores para ocupar. São que nem posseiros.

          No universo das novas tecnologias é fascinante saber que poderemos levar num aparelho que se ajusta na palma da mão e que pode nos acompanhar numa mochila durante um giro pelo mundo levando o equivalente à Biblioteca de Alexandria, destruída num incêndio por invasores árabes no ano de 646 d.C. Caminhamos para o mundo sem papel. As florestas viverão uma nova trégua ainda que isso não lhes garanta o desmatamento zero.

          Não verei esse dia como coisa cotidiana. Fico dividido numa saudade de um tempo que se foi e outro que virá - saudades do futuro, juro!. Virá com o desejo de ter essa nova e inovadora realidade plenamente. Acho que minha alma se queda numa séria crise de identidade. Tenho uma visão mundana dos anos 20 e 30 do século passado e a miragem de um futuro onde a única coisa analógica que gostaria de ter era o amor, qualquer maneira de amor...